5 indicadores que todo gestor de estacionamento deveria acompanhar semanalmente 

Conheça os cinco indicadores que todo gestor de estacionamento deveria acompanhar semanalmente para melhorar seus resultados.

Em mercados competitivos, executar apenas o básico em matéria de gerenciamento deixa o negócio totalmente em desvantagem. A ideia de que controlar o que acontece no dia a dia e fechar as contas no azul seja suficiente, deixa o seu negócio sujeito a surpresas e o impede de atingir todo o seu potencial.

Para tomar decisões que se baseiam em dados concretos, é necessário acompanhar os indicadores de estacionamento. Eles são ferramentas que ajudam a diagnosticar e avaliar o desempenho de processos, a partir da coleta de dados. Com eles, é possível tomar decisões mais acertadas, seja na resolução de problemas ou no cumprimento de metas. 

Veja quais são os 5 principais indicadores de estacionamento, a importância de cada um deles e para que eles servem.

1. Taxa de ocupação

1. Taxa de ocupação

Fundamental na operação de um estacionamento, a taxa de ocupação determina o percentual de vagas ocupadas diante do volume de vagas total do estacionamento. 

Considerando que, no período avaliado (pode ser por hora, semana, mês) o pátio contava com 50 vagas e 40 delas foram ocupadas, esse indicador de estacionamento é calculado da seguinte forma:

40 VAGAS OCUPADAS ÷ 50 VAGAS TOTAIS X 100 = 80

TAXA DE OCUPAÇÃO DE 80%

Como utilizar e interpretar esses dados

Um procedimento comum é o acompanhamento dessa taxa semanalmente, para identificar variações que ocorram de forma consistente e planejar ações com base nelas. Muitos estacionamentos medem também a ocupação em horários de pico. Esses dados servem principalmente para melhorar a experiência do cliente, evitando filas de veículos ou nos caixas.

Uma alta taxa de ocupação significa que o espaço é utilizado de forma eficiente e que há demanda na localidade. Taxas mais baixas podem apontar para ajustes necessários nas tarifas, melhorias na divulgação, ampliação de parcerias ou que há melhorias na concorrência.

Taxa acima de 80%

Estabilidade na operação. Porém, precisa de atenção, pois pode levar a perda de clientes por falta de vagas.

Taxa entre 60 e 80%

Negócio estável e relativamente confortável. A atenção aqui é para quedas ao longo do tempo. Há espaço para o aumento da ocupação.

Taxa abaixo de 60%

Vagas ociosas geram custo sem dar o retorno esperado. Necessário rever tarifas, melhorar a comunicação, investir em parcerias, realizar ajustes no horário de funcionamento. Considere também converter algumas vagas para prestação de serviços.

2. Ticket médio

2. Ticket médio

Esse indicador de estacionamento mostra a média de pagamentos realizados por todos os clientes. Ou seja, ele representa o quanto cada veículo estacionado contribui financeiramente no faturamento do pátio a cada vez que estaciona.

Como exemplo, vamos supor que 20 carros estacionaram no período em avaliação e o total de receita obtida no mesmo período foi de 400 reais. A partir desses dados, o cálculo é o seguinte:

400 REAIS DE FATURAMENTO ÷ 20 CARROS (OU CLIENTES) = 20

TICKET MÉDIO É DE 20 REAIS.

Como utilizar e interpretar esses dados

Ao acompanhar regularmente o ticket médio, é possível identificar se a taxa de ocupação vem trazendo realmente os resultados financeiros esperados. É desejável também fazer comparações entre diferentes horários, verificando quando e porque essa média cai.

Uma alta ocupação do pátio pode dar a impressão equivocada de que o negócio é mais lucrativo do que realmente é. E é aí que entra o ticket médio. Por exemplo, uma alta ocupação com ticket médio baixo pode trazer mais receita do que uma média ocupação com ticket médio alto.

Um ticket baixo pode apontar para o uso excessivo de promoções, descontos e convênios, além da predominância de clientes de curta permanência. O ideal é estabelecer uma meta de ocupação / ticket médio que cubra os custos e o lucro mensal esperado. Esses dois indicadores, analisados em conjunto, dão a real dimensão sobre a lucratividade do seu estacionamento.

Tarifas inadequadas

Se o seu estacionamento está cheio, mas a média por cliente é baixa, é possível que você esteja praticando preços inferiores do que o recomendado. Cheque os valores da concorrência e experimente pequenos acréscimos nas tarifas. Outra solução é implementar a tarifa progressiva, aumentando o valor da permanência a cada hora utilizada. Essa solução não afeta a tarifa básica e, por isso, não afasta os clientes de curta permanência.

Descontos e isenções em demasia

A razão do ticket baixo pode vir também de parcerias e convênios. Se elas não forem bem estruturadas, o excesso de veículos com isenção ou pagando abaixo da média pode impactar seus resultados. Reavalie as parcerias e mantenha apenas aquelas que forem de importância estratégica para o negócio, ou seja, as que também trazem outros benefícios. 

Ausência de outras fontes de receita

Oferecer serviços adicionais é uma forma de elevar o ticket médio sem precisar, necessariamente, alterar parcerias e tarifas. Um estacionamento pode oferecer, no mesmo espaço, serviços de lavagem e polimento, entre outras possibilidades. Os clientes que optarem por um desses serviços pagarão por eles e também pela vaga, aumentando a média.

Falta de direcionamento

O seu pátio pode estar cheio de clientes que ficam o mínimo de tempo estacionados. Vale a pena determinar o perfil daqueles clientes com maior tempo de permanência, para direcionar campanhas de atração e fidelização para o público que gasta mais.

3. Receita por vaga

3. Receita por vaga

Outro dos indicadores de estacionamento importantes é a receita por vaga. Enquanto o ticket médio mostra quanto os clientes gastam no pátio, a receita por vaga determina qual é a média de faturamento das vagas, não importa quantos clientes as utilizaram.

Utilizar esse índice depende de uma análise da ocupação, das tarifas aplicadas e do tempo de permanência dos clientes. Ainda que os clientes de longa permanência sejam um dos responsáveis pelo aumento do ticket médio, esse dado não define o resultado financeiro de forma mais ampla.

Considere um estacionamento com 50 vagas. Em um determinado período avaliado, há um faturamento de 4 mil reais, então veja como se calcula:

4 MIL REAIS DE FATURAMENTO ÷ 50 VAGAS = 80

A RECEITA POR VAGA É DE 80 REAIS.

Comparando receita por vaga com ticket médio

Para se ter uma ideia de como os indicadores de estacionamento trazem informações que devem ser analisadas em conjunto, vamos considerar o ticket médio com o mesmo cenário desse cálculo.

4 MIL DE FATURAMENTO NO PERÍODO

50 VAGAS TOTAIS NO PÁTIO

400 CLIENTES DE CURTA PERMANÊNCIA

TICKET MÉDIO DE 10 REAIS

4 MIL DE FATURAMENTO NO PERÍODO

50 VAGAS TOTAIS NO PÁTIO

100 CLIENTES DE LONGA PERMANÊNCIA

TICKET MÉDIO DE 40 REAIS

Aqui, você pode notar que, com o mesmo volume de vagas e o mesmo faturamento, o ticket médio variou bastante. Mas o faturamento total não foi alterado. Se essa receita é considerada baixa, as informações do ticket médio vão ajudar a definir a melhor estratégia para tornar o negócio mais lucrativo.

Como utilizar e interpretar esses dados

É importante definir metas realistas para o valor que cada vaga deve gerar. Essa meta deve ser definida a partir do que o seu estacionamento precisa para funcionar e lucrar. As vagas devem gerar, mensalmente, o valor proporcional dessa meta. Quando a receita por vaga fica abaixo desse patamar, você pode:

Implementar a tarifa dinâmica em horários de pico

Se o estacionamento está sempre cheio em determinado horário, você tem mais clientes do que vagas. Isso permite um aumento de tarifa que funcione apenas nesses horários.

Ajustar a quantidade de vagas

De acordo com a demanda por vagas, pode ser necessário ampliar ou reduzir a quantidade de vagas ofertadas, se no caso do seu pátio a redução é viável e tem impacto nos custos.

Revisar políticas de preços e parcerias

Observe se sua receita por vaga é puxada para baixo por conta de descontos aplicados às tarifas. Analise os descontos e parcerias, aumentando valores ou cancelando as parcerias que não trazem resultados.

Revisão de custos operacionais

Cheque se não há despesas que possam ser cortadas. O corte de custos não aumenta a receita por vaga, mas reduz a meta por vaga e aumenta a sua margem de lucro.

4. Tempo médio de permanência

4. Tempo médio de permanência

Esse indicador mostra a média de tempo que os veículos ficam no estacionamento. O tempo médio de permanência avalia a rotatividade das vagas para definir melhor a estrutura do pátio e a eficácia das tarifas aplicadas.

Um menor tempo de permanência implica em mais entradas e saídas. Consequentemente, há um maior desgaste dos equipamentos e maior necessidade de pessoal. Tempos de permanência mais longos, por outro lado, acabam reduzindo os custos. Deve haver um balanço entre o tempo de permanência, sua capacidade operacional e o valor das tarifas.

Em um estacionamento, a permanência de todos os clientes somadas é de 200 horas em um certo período. Nesse mesmo espaço de tempo, 80 veículos estacionaram. O calcula fica assim:

200 HORAS TOTAIS DE PERMANÊNCIA ÷ 80 VEÍCULOS = 2,5

O TEMPO MÉDIO DE PERMANÊNCIA POR VEÍCULO É DE 2,5 HORAS.

Como utilizar e interpretar esses dados

Compare essas médias apresentadas abaixo, com o tempo médio de permanência encontrado no seu pátio.

  • Entre 30 e 60 minutos em estacionamentos de uma única loja
  • Abaixo de 1 hora para estacionamentos de rua ou rotativos
  • Entre 1 e 2 horas em estacionamentos de clínicas e consultórios
  • Entre 1 a 4 horas para shoppings e outros centros comerciais
  • Entre 2 e 4 horas para estacionamentos de hospitais
  • Se 6 a 8 horas para mensalistas em centros comerciais

Ajustes de tarifa

Se a permanência é baixa, avaliar se a tarifa atrai mais os clientes que pretendem ficar por pouco tempo. Se a permanência for alta, avalie se há mensalistas em excesso ou se há carros abandonados.

Cobrança progressiva

Uma média de tempo baixa pode melhorar com cobranças progressivas mais atraentes. Porém, se o pátio está sempre cheio, isso não é recomendado.

Política de tolerância

Os clientes podem optar pelo seu pátio se houver uma tolerância muito alta. Eles podem aproveitar o tempo de cortesia para realizar tarefas rápidas. Se a tolerância for de, por exemplo, 30 minutos, muitas pessoas serão atraídas para o negócio, sem pagar nada. 

5. Volume de entradas e saídas

5. Volume de entradas e saídas

Dentre os indicadores de estacionamento, este é o mais simples. Trata-se apenas de uma contagem de quantos carros entram ou quantos saem. Esse indicador mostra qual é a rotatividade do estacionamento, o fluxo real de veículos. Ele serve também para detectar problemas operacionais e avaliar a percepção do cliente com relação ao negócio. 

Analisado em dias e horários específicos, ajuda no dimensionamento da equipe de acordo com o fluxo de cada dia ou horário. Você pode analisar apenas as entradas ou apenas as saídas, para ter o número de clientes que utilizam o estacionamento. Mas pode também analisar separadamente as entradas e as saídas, para verificar possíveis inconsistências. Não há cálculo a ser realizado, apenas uma contagem.

Como utilizar e interpretar esses dados

Seu volume pode estar em alta ou em queda, ou ainda, pode haver variações em determinadas horas ou dias da semana. Um crescimento desse número de forma regular pode indicar a necessidade de uma mudança operacional para lidar com o maior fluxo. Picos irregulares de aumento podem exigir uma investigação sobre os motivos reais desses eventos.

Variações no volume de entradas e saídas podem ter diferentes causas. Identifique qual é o seu caso específico para encontrar as soluções mais adequadas.

  • Eventos no local ou sazonalidade
  • Obras acontecendo nas proximidades
  • Problemas de acesso que afastam clientes
  • Novo concorrente na região
  • Mudanças operacionais de concorrentes
  • Mudanças no negócio principal

Prevenção com acompanhamento semanal

Acompanhar os indicadores de estacionamento com frequência semanal é uma excelente ferramenta para o crescimento do seu negócio. Esses 5 indicadores, quando utilizados juntos e com regularidade, permitem detectar problemas antes mesmo que eles aconteçam, além de fornecer informações para a realização de melhorias.

O ideal é que uma rotina seja criada para a coleta e análise desses dados, como por exemplo:

  • Dados da semana anterior são extraídos para análise.
  • Comparações com outras semanas para identificar desvios.
  • Registro dos achados relevantes na semana.
  • Elaboração de propostas para ações necessárias.
  • Escolha de uma ou duas propostas.
  • Implementação imediata.

A sua equipe pode participar da análise de dados, ou pelo menos ser informada de forma resumida. Essa prática acaba criando uma cultura de monitoramento e análise de dados. A sua equipe se tornará mais consciente a respeito do impacto desses números nos resultados e poderá também vir a ser apta a contribuir com ideias práticas.

Trabalhar com indicadores faz com que as decisões sejam mais rápidas e acertadas, promovendo um maior controle do faturamento e do lucro, além de evitar surpresas desagradáveis.

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